
A água está presente em vários aspectos e escalas do espaço geográfico amazônico, delineando cenários complexos e desafiadores: seja influenciando a logística de transporte e escoamento de produção, seja incorporando as ações antrópicas em suas diferentes formas (por exemplo, a poluição hídrica ocasionada pela ausência ou saneamento básico insuficiente em comunidades e cidades ribeirinhas). Isto é um reflexo da dificuldade de implementação de políticas públicas nesta região, onde o desenvolvimento ocorre de forma pontual, geralmente facilitado pela implementação de programas e projetos específicos e muitas vezes independentes.
O Projeto Mutirão das Águas é uma destas iniciativas e pretende comprovar que por meio da mobilização, organização e capacitação comunitária é possível promover ações eficazes voltadas para o uso e conservação dos recursos naturais, especificamente dos recursos hídricos.
Em dois anos de execução, o Mutirão das Águas já mobilizou e capacitou mais de 800 ribeirinhos nos municípios de Manacapuru e Coari, promovendo a organização comunitária e apoiando ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida. No Lago Mamiá, em Coari, o projeto apoiou a criação de uma associação agroextrativista de comunitários (a AAGROLAM) interessados em solicitar a criação de uma unidade de conservação de uso sustentável. Em Manacapuru, onde já existe a RDS do Piranha, os debates foram direcionados para possíveis soluções comunitárias que garantam a efetiva implementação da área protegida, por meio da co-gestão.

